Deputada do PSOL atribui a “direita” responsabilidade por cortes em salários de professores e desvalorização da carreira docente no Brasil
Por Dircélio Timóteo
Uma deputada federal filiada ao PSOL afirmou, em pronunciamentos públicos nas últimas semanas, que a “direita” e determinadas forças no Congresso Nacional são responsáveis pelos cortes e pela desvalorização dos salários dos profissionais da educação no país. A declaração ganhou repercussão nas redes sociais e em grupos de educadores que criticam a política salarial atual para a categoria. 
Segundo a deputada — identificada em postagens como professora e parlamentar do PSOL — a crise que atinge o magistério não decorre apenas de ajustes fiscais pontuais, mas de um projeto mais amplo de desmonte das condições de trabalho e remuneração dos docentes, que teria sido impulsionado historicamente por setores de direita no Congresso e em governos anteriores. 
A parlamentar aponta ainda o Congresso como co-responsável, por meio de votações e omissões que teriam permitido que municípios e estados revisassem políticas de remuneração que respeitem o piso nacional do magistério e outros direitos trabalhistas da categoria. 
O discurso decorre de uma conjuntura marcada por reajustes salariais modestos e desafios para a valorização dos professores. Por exemplo, recentes aumentos do piso nacional têm sido criticados por servidores e sindicatos por ficarem abaixo da inflação e insuficientes para repor as perdas acumuladas dos últimos anos. 
Contexto mais amplo do debate sobre salário e piso do magistério
Especialistas e parlamentares de diferentes partidos — inclusive do próprio PSOL — têm destacado um conjunto de fatores que contribuem para a situação salarial dos professores no Brasil:
• **Descumprimento do piso salarial nacional do magistério, previsto em lei, por centenas de municípios, gerando desigualdades regionais e precarização de contratos. 
• Ampliação de contratações temporárias em vez de efetivos, o que reduz a estabilidade e os direitos trabalhistas dos profissionais da educação. 
• Estudos mostram que em muitos municípios o magistério recebe salários abaixo da média de outras carreiras de nível superior, agravando a desvalorização da profissão. 
Deputados da Comissão de Educação também têm pautado a necessidade de responsabilização dos gestores que não cumprem a legislação do piso, inclusive com propostas legislativas que considerem improbidade administrativa o não pagamento do valor mínimo garantido.
Repercussão entre educadores e no Congresso
Movimentos de educadores, sindicatos e associações têm reagido às declarações ressaltando a importância de valorizar a carreira docente — mas também apontam que a responsabilização de uma “direita” como bloco político precisa ser analisada à luz de debates concretos sobre políticas públicas, legislação e orçamento, e não apenas de rótulos ideológicos.
Parlamentares de outros partidos, inclusive alguns que defendem maior disciplina fiscal ou autonomia de estados e municípios, argumentam que a questão salarial envolve limitações orçamentárias e decisões complexas sobre prioridades públicas, e não pode ser reduzida a uma simples disputa entre esquerda e direita.
